Folha de Maputo
2013-02-13

Insuficiências ou Incapacidades das nossas (infra)-estruturas?

Por várias razões, algumas delas compreensíveis e outras não, na altura que escrevo este texto, a HCB está a perder milhões de dólares na facturação, a EDM também perde na facturação e os CFM também perdem milhões de dólares no transporte do carvão. Porquê? Porque todas elas sofrem do mesmo sintoma, infra-estruturas débeis e deficientes, embora as causas sejam diferentes não se excluem do mesmo princípio fundamental da manutenção e planeamento.
No caso da HCB, tratam-se de certas torres de transmissão de energia eléctrica na província de Gaza que por causa das cheias estão em vias de ruir. Daí que o fornecimento a África do Sul está reduzido. A EDM teve uma avaria inédita que resultou na morte de um trabalhador e a Cidade de Maputo tem sofrido apagões e consequentemente a sua economia em diversos sectores tem sofrido na produção. Os CFM pararam de transportar carvão de Moatize porque a linha de Sena não está em condições e consequentemente houveram descarrilamentos.
Portanto, num país rico em energia temos 3 grandes empresas com problemas sérios relacionados as suas infra-estruturas. É sabido que nenhum país se desenvolve se não investir nas suas infra-estruturas. A nossa economia cresce e promete crescer ainda mais, mas para garantirmos que essa promessa se concretize é importante que cuidemos das nossas infra-estruturas. Existem regras básicas para o garantir o funcionamento constante e ininterrupto de
infra-estruturas, estas regras devem seguir vectores de planeamento, manutenção, formação, recuperação de desastres sem interrupções longas e ensaios de desastres de maneira a preparar as equipas a agirem rapidamente.
Cabe as estruturas que zelam pelas nossas infra-estruturas implementarem essas boas práticas e garantir que o futuro da nossa economia seja realmente o que almeja. Esta coincidência de eventos deve ser um estímulo a reflexão mas não devemos parar por aí, teremos que analisar as nossas capacidades e colmatar as nossas lacunas. É crucial e fundamental que nos responsabilizemos pelos nossos erros, pois esse é o primeiro passo para a correção dos mesmos garantindo que tais não voltem a acontecer. Porque aquela famosa frase "são as nossas insuficiências!" deve ser erradicada para sempre.

Por José Manuel Ismael
Insuficiências ou Incapacidades das nossas (infra)-estruturas?
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