Folha de Maputo
2013-04-09 12:39:17 (UTC+02:00) Harare, Pretoria

Temos adeptos e não temos sócios nos clubes moçambicanos


Domingo, 7 de Abril às 14h30 dirigi-me ao campo do Costa do Sol para acompanhar o jogo entre o Costa do Sol e Chingale de Tete. Estava eu com uma camiseta que dificilmente alguém podia imaginar qual das equipas eu ia torcer o nariz. Homem que é Homem tem algum clube pelo qual puxa. Na verdade estava com uma T.Shirt dos Mambas que, logo a partida me colocariam numa posição de amante do futebol, mas sem clube identificado.

É comum ouvir dos Homens, de viva voz, que são do Benfica, do Sporting ou do Porto quando o assunto é campeonato português. Quando o assunto é Espanha, muitos de nós puxamo-nos pelos dois grandes Real Madrid ou Barcelona. Internamente, temos clubes do coração, Desportivo de Maputo, Textáfrica, Têxtil do Púnguè, Ferroviários de Maputo, da Beira, de Nampula, Maxaquene, (…) Matchedje e Costa do Sol. Este último que me despertou a curiosidade de escrever estas linhas.

Quando cheguei no campo do Costa do Sol, paguei o bilhete de ingresso e fui directamente sentar perto de espectadores que estavam rigorosamente vestidos à canarinho. A minha camiseta vermelha me distinguia dos demais mas, como ia puxando a conversa aos meus pares da bancada querendo saber o quão vai o “nosso Costa do Sol”. A medida que íamos trocando impressões ao decorrer do jogo fui sabendo dos que mais pareciam a ferver qual era o critério para regularizar as cotas. Confesso que não tive resposta. Uns iam dizendo que é só contactar a direcção do Costa do Sol. Aonde? Outros iam dizendo que o último pagamento foi há nove (9) e 15 anos.

Na segunda parte, tive que mudar de ponto de recolha destes dados, na expectativa de encontrar gente que gosta dos seus clubes e que contribuem para o seu desenvolvimento. Mas nada mudou e pareceu que fui atiçar gasolina no lume. O meu questionário era todo negativo e que apenas o do positivo eram as camisetas que todos com quem conversava trajavam.

O pior momento tinha que chegar, quando terminou a partida e com um resultado final de empate a uma bola. Parte dos meus pares da bancada da primeira parte, com o estavam na bancada sobra e que tinha por parte os dirigentes do Costa do Sol, o treinador a sair o campo, os jogadores, a imprensa começaram com palavrões tumultuosos. “Não queremos este treinador, não queremos este treinador, não queremos este treinador, (…) não queremos este treinador”. Quando comecei a ouvir isso, fiz-me uma pergunta: quem é que não quer o treinador? Adepto ou Sócio do Costa do Sol?

Alguns dicionários dizem que adepto é a pessoa que apoia um desportista ou um clube enquanto que sócio é que membro de uma associação e tem o pleno gozo dos direitos e da agremiação e o clube uma delas.

Dito isso, que legitimidade tenho como adepto vaiar um treinador pela facto da equipa não ter alcançado o resultado esperado. Não porque seja mau exigir resultados aos que nos ajudam a dar azo as conversas de segunda-feira, depois de mais uma jornada. Como sócio, e não basta ser sócio, mas sim com quotas em dia, é que pode exigir os seus direitos perante uma aparente “ineficiência” do treinador.

Não tenho números oficiais de cada clube para saber o quão andamos com o assunto das quotas, mas por aquilo que me pareceu no Campo do Costa do Sol, pode ser que a minha amostra seja, errada, não creio que os números sejam tão agradáveis.

Temos mesmo que pagar quotas para efectivamente exigirmos a cabeça do treinador com mais coerência e legitimidade.
Temos adeptos e não temos sócios nos clubes moçambicanos
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