Folha de Maputo
2013-02-25

A “East Africa Petroleum Conference and Exhibition 2013”


Entre seis e oito do corrente teve lugar em Arusha (Tanzania) a conferência bi-anual dedicada ao Gás e Petróleo na África Oriental.

Esta conferência foi um enorme sucesso tendo estado presentes a ela cerca de 1,100 conferencistas de todas as partes do mundo. Deixo aqui uma pequena observação, pois apesar de estarem presentes conferencistas de todas as companhias com interesses na sub-região, o governo de Moçambique não se fez representar.

A conferência é organizada cada dois anos pelos países membros da EAPC, composta pela Tanzania, Quénia, Uganda, Burundi e Ruanda. A este grupo de países, apregoou-se na conferência, ir-se-à juntar muito brevemente o Sudão do Sul, formando-se assim um bloco bastante significativo. A África Oriental começa assim a afirmar-se como mais uma província petrolífera em África. Constatou-se ainda nessa conferência que o espírito de cooperação entre os já membros aponta para a possibilidade de criação de uma moeda única mais ao estilo da Europa do que da África Ocidental.

Voltando a conferência, ela foi por mérito próprio um enorme sucesso. Aparte de representantes dos governos membros, cerca de duzentas companhias associadas a indústria fizeram-se representar contando-se entre elas as grandes potências incluindo a Exxon-Mobil, Chevron, Total, Shell e BP, para além das grandes “entidades sociais” como a Statoil-Hydro e a Norsk.

O Dr Duncan Clarke, chefe do executivo da “Global Pacific and Partners’, num ataque directo a actividade de caracter social promovido pela Statoil, fez referência de que o distanciamento do comportamento da Statoil em relação a actividade das outras multinacionais a operar no continente não seria benéfica para África. Segundo o Dr. Clarke, a África encontra-se ainda numa fase de desenvolvimento medieval, e como tal a politica de desenvolvimento da indústria promovida pelos Nórdicos não pode fazer eco no continente. Fazendo ainda referência ao Dr. Clarke, África ainda não está em condições de desenvolver os quadros, as estruturas jurídicas e infra-estructuras necessárias para o seu desenvolvimento, facto que na Noruega não foi um factor demasiado importante. Quando os programas de desenvolvimento começaram na Noruega, o país já era desenvolvido, já tinha quadros próprios e já fabricava o que necessitava, elementos com os quais a África ainda não pode contar. Essa diferença, segundo o Dr. Clarke, elimina a comparação e a aplicação do mesmo modelo social. Salientou ainda o facto de a Noruega sentar-se hoje sobre uma reserva financeira de setecentos bilhões de Dólares podendo por isso alinhar-se com o terceiro mundo contra as outras operadoras multinacionais. Porém, disse ainda o Dr Clarke, isso não beneficiará a África.

Ultrapassando o ponto de vista crítico do Dr Duncan Clarke, e, tal como já atrás referi, apercebi-me da ausência de representantes de Moçambique, Madagáscar, Malawi, Etiópia e Somália na conferência. Tentei fazer eco sobre as razões e não consegui qualquer explicação junto dos organizadores presentes. Em função deste silêncio por parte dos organizadores Tanzanianos e Quenianos restou-me concluir de entre várias possibilidades as seguintes opções:

1. Os outros países da África Oriental não foram convidados a participar e como tal, foram deliberadamente excluídos;

2. Os outros países da África Oriental foram convidados mas não se fizeram representar por razões de logística;

3. Os outros países da África Oriental não querem fazer parte das oportunidades de cooperação (ou mesmo de integração) que a indústria de petróleo poderá proporcionar;

4. Numa fase ainda preliminar, o “gatinhar” da indústria na sub-região, já existe uma divisão marcante entre os países da África Oriental; e, finalmente,


5. Será que os países da África Oriental desapercebida e silenciosamente estarão a
dar razão ao Dr Duncan Clarke sobre a observação de que a África ainda se encontra a viver numa “época medieval”?

Os países da sub-região precisam de desenvolver esforços para que este distanciamento se transforme em aproximação. A aproximação dos agentes petroleiros da África Oriental beneficiará não só o desenvolvimento da indústria destes países bem como facilitará a cooperação necessária entre todos. Existe desde já a possibilidade de jazigos petrolíferos localizados em fronteiras comuns e como tal a cooperação entre os estados será fundamental para a boa condução de programas de unitização desses recursos.

A conferência foi um sucesso sem precedentes e, acredito em pleno, os países participantes beneficiaram significativamente do contacto e do intercâmbio de ideias, projecções e até sobre a legislação a desenvolver para o benefício máximo das populações da região. Moçambique está em vias de organizar uma conferência sobre a indústria em Maputo. Espero estar presente e, ter a oportunidade de jantar com os meus amigos da Tanzânia, Quénia e Uganda na mesma mesa. O futuro promete.

Por António Vieira
A “East Africa Petroleum Conference and Exhibition 2013”
folha de maputo notícias rádio super fm Find more about Weather in Maputo, MZ