Folha de Maputo
2013-02-08

Arbitro, O Poderoso

O CAN 2013 que se realiza na África do Sul é dos mais emocionantes que já assistimos. As equipas africanas apresentam-se tacticamente melhor organizadas e a velocidade do jogo tende a aumentar e a ficar mais próxima dos jogos do futebol europeu. As estatísticas são claras e sugerem um melhoramento na qualidade dos jogos. No entanto, o mesmo melhoramento não se reflecte na qualidade das arbitragens. Os árbitros africanos continuam a cometer erros gravíssimos colocando em causa a verdade desportiva. Estes erros são testemunhados por milhões de africanos e não africanos que seguem os jogos pela televisão. O mais recente escândalo de arbitragem foi no jogo da meia-final, entre o gigantesco Gana e a surpreendente Burkina Faso. O Sr.Slim Jdidi da Tunísia apitou um penalte muito duvidoso a favor do Gana, anulou um golo ao Burkina Faso cuja a jogada claramente também é duvidosa, mas o mais escandaloso foi o arbitro não ter assinalado um penalte claro a favor de Burkina Faso já nos momentos finais do prolongamento, e na mesma jogada ter mostrado o segundo cartão amarelo ao jogador da Burkina Faso, Jonathan Pitroipa que resultou na sua expulsão e exclusão no jogo seguinte, que por justiça será o jogo da final frente a reencontrada Nigéria.
A Confederação Africana de Futebol analisou o desempenho do Sr. Slim Jdidi e suspendeu-o imediatamente. Entretanto, a Federação de Futebol de Burkina Faso submeteu a CAF um pedido de suspensão do castigo do habilidoso Jonatha Pitroipa. Esse pedido foi analisado mas só poderá ser aceite se o árbitro em questão admitir o erro no seu relatório.
Esta situação coloca a faca e o queijo nas mãos do árbitro. Ninguém mais pode colocar justiça nesta questão. Nenhum órgão se responsabilizará por tamanha injustiça. Não existe nenhum mecanismo de recurso para a Federação da Burkina Faso e nem para o lesado atleta.
Caso o árbitro entenda que não cometeu um erro, ou não queira admitir, ou seja coagido a não admitir, a injustiça manter-se-a. Este mecanismo permite a ilibação da CAF, das comissões de arbitragem e coloca toda a responsabilidade sobre o árbitro.

Este sistema permite ao árbitro um poder enorme. Sabemos todos que a corrupção não está limitada aos serviços públicos em África ou outro continente qualquer. A suspensão do árbitro não passa mesmo disso, por isso o árbitro pouco tem a perder. Daí que na situação actual em que ele se encontra pode se posicionar para lucrar da melhor oferta. Este sistema é claramente injusto e não devia continuar a ser usado. A CAF deve ter a última palavra e castigar os árbitros mais severamente. Na verdade o sistema existe para permitir a ilibação da CAF e a resolução na base de subornos sob forma de leilão. Aguarda-se o relatório do árbitro e esperemos que justiça seja feita e que ninguém para além de Jonathan Pitroipa e verdade desportiva saiam beneficiados.

O secretário-geral da CAF, Sr. Hicham El Amrani informou que a CAF está desagrada com a arbitragem, mas que esta não mancha o CAN213. Na minha opinião mancha e muito, porque de más decisões foi eliminada a selecção de Cabo Verde que merecia ter eliminado o Gana nos quartos de final. Mas em Cabo Verde apenas há 500.000 habitantes comparados aos 25.000.000 no Gana, e mais importante ainda, Cabo Verde provavelmente tem pouco ou nenhum lobby junto a CAF, mas o Gana já é veterano nestas matérias, por isso, o mais fraco tem que cair. Entretanto, o show deve continuar, porque os lucros são enormes e o futebol e verdade desportiva são meros pormenores menos importantes.

Por José Manuel Ismael
Arbitro, O Poderoso
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